A hipocrisia "anti-globista" brasileira toma proporções assustadoras



@wesleytalaveira Diz uma grande amiga minha que hoje mora no exterior: o brasileiro é, se não o mais, um dos povos mais hipócritas do mundo. Condenamos e aprovamos de acordo não com o que acreditamos, mas com nossa conveniência. Apoiamos até o momento em que algo está de acordo com minha opinião, e a partir do momento em que algo está fora da minha visão de mundo, aquilo passa a ser horrível e condenável.

Essa hipocrisia atinge até os lugares mais absurdos, como a forma como o brasileiro vê TV. Sim, há pessoas que assumem uma briga que não é delas e tomam partido a favor de emissora A ou B. No caso a emissora "G", a Rede Globo. Todos os dias uma multidão de pessoas se organizam para criticar a programação da Globo, chamá-la de "alienadora", "manipuladora", "PIG" e etc - aliás, esse tal PIG que os pseudo-esquerdistas criaram é no mínimo hilário. Gente que ainda não descobriu a utilidade do controle remoto critica a programação da Globo, ofende artistas, jornalistas e qualquer pessoa que tenha qualquer ligação com a Rede Globo. Esse texto meu com certeza será muito criticado pelo simples motivo de eu não fazer coro com os críticos, que adoram a Record como "grande libertadora dos meios de comunicação", ignorando o fato de que cerca de 70% dos profissionais da Record vieram da Globo, e alguns já diseram que voltariam no primeiro convite que a Globo fizesse.

Pois bem, essa hipocrisia "anti-globista" vem tomando proporções assustadoras. Por várias vezes vemos pessoas invadindo transmissões ao vivo dos telejornais da Globo para rugir palavras de ódio. Hoje aconteceu algo ainda pior: durante a cobertura do tratamento do ex-presidente Lula no Sírio Libanês a repórter Monalisa Perrone foi atacada por um bando de vândalos violentos que a empurraram gritando qualquer coisa impossível de se entender. A transmissão foi interrompida e depois ela voltou ao ar com a voz embargada, sendo substituída pelo repórter José Roberto Burnier. 

Veja o vídeo:



Qual é o nível de uma pessoa que interrompe o trabalho de um repórter para mostrar ódio contra uma emissora? O que leva uma pessoa a sair de casa num dia frio como hoje em SP e ir até onde a repórter está trabalhando para incitar ódio? Falta do que fazer? Selvageria? Um pouco de cada disso. 

Veja bem: não estou defendendo a Globo nem dizendo que ela é santa. Sei que ela tem o hábito de monopolizar eventos apenas para não disponibilizar para a concorrência, entre outras práticas um tanto duvidosas. Mas quanto à alienação só digo uma coisa: aprenda a usar o controle remoto. Se em determinado canal está passando algo que não gosto de ver, eu mudo de canal. Simples assim. Não preciso sair criticando, ofendendo. Mudo de canal e procuro algo que me interesse. Se nada me interessa eu desligo a TV. É muito difícil?

E mesmo que essa tese da manipulação fosse verdadeira, qual a culpa que o repórter na rua tem disso? O que você acha que irá conseguir mudar na "alienação" globista ao agredir uma repórter na rua? Exceto se mostrar como um tremendo mal educado e deselegante, você não vai conseguir muita coisa. 

Chamamos a Globo de alienadora e etc. Mas os programas dela são líderes de audiência o tempo todo. E quem diz isso não sou eu, é o Painel de Televisão, que já mostrou que a Globo é líder 24 horas por dia. Não gosta da Globo? Não assista! 

Deu pra entender ou quer que desenhe?

O exílio de Marcelo Freixo: o fracasso do Brasil como país desenvolvido




@wesleytalaveira - O deputado estadual pelo Rio de Janeiro Marcelo Freixo (Psol) está se licenciando de seu cargo e deixando o país. Não, ele não está entrando em férias nem licença para tratar de algum problema de saúde. Ele está fazendo isso pra se manter vivo. Sim, como diz um trecho bíblico, ele está "escapando pela própria vida".

Marcelo Freixo foi o relator da CPI das Armas em 2008, que foi a responsável pelo indiciamento de 225 pessoas, entre eles policiais militares, civis, bombeiros e agentes penitenciários. E por conta disso vem recebendo ameaças de morte. Em um mês foram sete ligações anônimas de pessoas prometendo matá-lo por combater o crime. Há um esquema montado por milicianos para matar Marcelo Freixo, a exemplo do que aconteceu com Patrícia Accioli. Ele deixa o país amanhã com a família a convite da Anistia Internacional. O destino não foi revelado - obviamente.

Sim, caro amigo que me lê: vivemos num país onde combater o crime é mais arriscado que viver no crime. Vivemos num país onde o bandido tem mordomias, todas elas defendidas pelos "direitos Humanos" mas pessoas de bem precisam se esconder. Ainda mais se forem pessoas que lutam para defender o bem. E quem tem o poder de mudar essa situação não está nem um pouco interessado nisso. Nossa lei criminal é ultrapassada. Já está mais que provado que ela não protege o cidadão . Pelo contrário, protege a quem deveria punir. Onde vamos chegar?

O exílio de Marcelo Freixo é a prova de que o Brasil fracassou em sua proposta de ser um país desenvolvido e que, assim como os países africanos onde a guerrilha mata milhares de pessoas por dia, somos um país perigoso para se viver. O Brasil, mesmo não tendo guerras civis nem qualquer tipo de conflito étnico ou social, é um país violento. O tráfico mata milhares de pessoas por dia. Andar nas ruas do Brasil se tornou algo arriscado. Os brasileiros são violentos. Matam mulheres, professores, amigos. A ideia de que o Brasil é um país de gente amiga e tranquila é uma ideia falsa. Somos um povo violento, que, quando nós mesmos não praticamos o crime, nos conformamos com o que outros fazem.

Quem tem a oportunidade deve fazer o mesmo que Marcelo Freixo: vá embora antes que seja tarde.

"Queremos resgatar a tradição de qualidade da música britânica". Entrevista com a banda Eutopia



Começar uma carreira musical é algo difícil. Isso é fato. Mais difícil ainda deve ser começar uma carreira musical de forma independente na mesma terra de lendas da música como Beatles, Amy Winehouse, Led Zeppelin, Queen e outros. Eutopia é uma das muitas novas bandas que vem surgindo no cenário musical do Reino Unido, mas com uma diferença: o trabalho deles vem ganhando reconhecimento do público dentro e fora das terras da Rainha. Além dos vários fãs ingleses, já são ouvidos nos EUA e planejam em breve uma viagem à América do Sul.

Idealizada em 2010 por Alexander Kotziamanis, a banda é hoje formada pelo próprio Alexander, que é o vocalista e guitarrista da banda, além de Leah e Luke. A banda Eutopia é hoje uma das grandes inovações da música inglesa, principalmente pela pegada do rock com uma boa dose de eletro e synth, o que resulta num som muito diferente, muito bom de se ouvir. O primeiro single da banda, Shall I Lie tem gerado uma ótima repercussão na internet e está inclusive disponivel para o iTunes. E o álbum Seven, primeiro da banda, já está pronto para ser lançado e em breve entrarão em turnê pelo Reino Unido.

Essa é a primeira vez que a banda Eutopia fala para a América Latina, e é a primeira entrevista internacional do Blog Novas Ideias. Por conta disso, resolvemos publicar a entrevista também em espanhol, para que nossos vizinhos latinos possam acompanhar a entrevista.





Aldo Quintão, o padre anglicano



Publicado no site da revista Brasília em Dia


Com quase 50 anos de idade, o reverendo Aldo Quintão, que começou como engraxate, ajudando o pai, em Taguatinga, desde cedo pensava em ser padre para propagar a palavra de Jesus Cristo. Ele recorreu ao padre da paróquia, que o ajudou a realizar o sonho de entrar no seminário, em Itu (SP), onde iniciou sua trajetória. Ele se formou em 1981 e passou para o noviciado como Frei Aldo. Aos 23 anos, em 1984, foi encaminhado para a Paróquia Nossa Senhora do Carmo, na cidade de São Paulo.

Ele não se adaptou às doutrinas da Igreja Católica e decidiu deixar de ser frade, porque não concordava com as regras impostas pela instituição. Normas que ele considerava hipócritas e, por exemplo, não permitiam que os fiéis sequer usassem a camisa de vênus, o preservativo masculino. Sem ter onde morar, ele procurou abrigo em um cortiço na rua Bela Cintra, na capital paulista. Para sobreviver, ele vendia jornal usado para donos de mercadinhos e feirantes. Justamente em um momento muito difícil, ele conheceu sua atual esposa, a odontóloga Ana Paula, com quem tem um filho. Quando ele não recolhia jornais para vender, atuava como voluntário na Favela do Real, alfabetizando crianças carentes. Logo depois, ele recebeu um convite para fazer palestra sobre trabalho solidário no colégio Pio XII. Em seguida, passou a dar aulas de teologia também.

Por fim, Aldo Quintão chegou à conclusão de que precisava voltar a pregar. Em 1995, ele optou pela Igreja Anglicana e começou a frequentar a Catedral de São Paulo. Em 1998, ordenou-se padre anglicano. Hoje, ele é conhecido no país inteiro. Seus cultos são transmitidos ao vivo pela internet e despertam fiéis em muitas regiões do país, porque fala tudo o que pensa. Assim, sua personalidade serviu para consolidar a fama de ser um religioso polêmico.

Religião liberta?



@wesleytalaveira Outro dia questionei no Twitter a eficácia de clínicas de recuperação de dependentes químicos mantidas por igrejas evangélicas que usam a religião como forma de 'libertar' os viciados. Essas clínicas costumam impor aos internos rotinas de práticas religiosas que eles provavelmente não teriam se tivessem poder de escolha. Cultos, orações antes dos alimentos e leitura da Bíblia, além de outras práticas. O resultado é que a maioria dessas pessoas que saem dessas clínicas se tornam evangélicos fervorosos, que pregam, cantam e "testemunham" sobre sua vida passada de drogas e a nova vida religiosa.

Me lembro de ter lido uma vez algo sobre os "viciados em religião", pessoas que precisam da prática religiosa para sobreviver. Sim, assim como existem pessoas viciadas em álcool, chocolate e café, há os viciados em religião, e eu conheço gente assim. Um dia sem ir à igreja é um dia incompleto, vazio. Onde estão, estão falando na religião, seja em almoço de família ou no trabalho. Esse tipo de gente geralmente costuma ser inconveniente, pois acha que qualquer ambiente é local para a "pregação do evangelho".

Pois bem, considerando que é possível que uma pessoa se vicie em religião, eu perguntei no Twitter: será que essas clínicas que usam a religião como tratamento estão realmente libertando? Esses pacientes estão sendo tratados de um vício ou estão apenas trocando por um outro? Será que eles não estão deixando o vício nas drogas para mergulhar no vicio em religião? Não seria o caso de eles estarem usando um vício considerado "bom" para a sociedade para esconder outro, considerado "ruim"?

Penso que qualquer coisa que tira do indivíduo a capacidade de pensar sozinho é um vício a ser combatido, seja o crack, seja a religião manipuladora. Já não dizia Nietzsche que a religião é o "ópio do povo"?

Qualquer iniciativa que tenha como objetivo libertar das drogas é algo bom e que deve ser apoiado. Mas o que vai ser feito com essa pessoa depois do tratamento é um outro assunto. As vezes esse 'depois' pode ser mais complicado que o próprio tratamento em si. Tratar um dependente químico é algo complicado demais para simplificar tudo com a religião. Não basta somente crer que 'deus liberta'. Há todo um caminho a ser percorrido pela pessoa, e que apenas ela pode fazer. Mais ninguém. Nem Deus.

Por que reallities show fazem tanto sucesso?



@wesleytalaveira Não tem jeito, os reallties show viraram mania. Mal acaba um já se fala no outro. E isso não é só aqui no Brasil. Gente no mundo todo para o que faz pra ver a vida alheia.

Mas o que esses reallties tem que tanto atraem a atenção do telespectador?

No caso do Big Brother, formato de reallity criado pela empresa holandesa Endemol, há dois conceitos bastante interessantes sobre os quais o reallity se firma: 1) o ser humano é um ser sociável, e quando é privado da convivência em sociedade ele pode ter atitudes completamente desproporcionais à sua personalidade; 2) o ser humano, por natureza, gosta de ver e acompanhar a vida alheia.

Que o ser humano gosta de viver em sociedade não deve ser novidade para ninguém. desde pequenos aprendemos a fazer amigos, a ter colegas em escola, a brincar e dividir brinquedos, crescemos com amigos com quem conversamos, namoramos e casamos. OU seja, toda nossa vida foi construída em cima do conceito de sociedade. Aprendemos que "uma andorinha não faz verão". Portanto uma das experiências mais incríveis de se fazer com o ser humano é privá-lo da convivência em grupo. Somando-se a isso o fato de vivermos numa geração tecnológica, inclua nessa privação uma total ausência de vida on line. Qual o resultado? Impossível prever. O ser humano é um dos animais mais imprevisíveis. Basta tirá-lo daquilo que sua natureza o manda fazer para perder completamente o padrão de comportamento humano.

Ana Madeira
Somado a isso, é fato que o ser humano adora acompanhar a vida alheia. Seja para comparação com a própria vida, seja por pura curiosidade. Saber como vai o casamento do vizinho, ver se a bunda da colega de trabalho é maior que a sua, saber como é o desempenho do namorado da amiga na cama, comparar o carro do vizinho com o seu e por aí vai. É próprio do ser humano. Gostamos de ver a vida dos outros. Uma das grandes sacadas sobre isso foi dita aqui mesmo no Blog Novas Ideias, numa entrevista com a ex-BBB Ana Madeira. Na entrevista ele pergunta para ela o porque do sucesso do BBB, e ela responde com a frase que poderia facilmente ser tema de vários estudos antropológicos: o ser humano é voyeur. Gostamos de vasculhar a vida alheia. Temos tesão em abrir correspondência do vizinho. Saber o quanto ele paga de energia elétrica. É coisa nossa.

Qual é a grande sacada da versão brasileira do Big Brother? A Globo teve a grande ideia de entender que, além de o ser humano ser voyeur, o brasileiro é fofoqueiro. Adoramos comentar a vida do outro. Espalhamos a notícia da nova namorada do amigo da faculdade, observamos o novo corte de cabelo da colega e comentamos no salão. Não é à toa que revistas de celebridade vendem tanto por aqui. É por isso que Nelson Rubens ainda tem emprego. Os Paparazzi nunca foram tão solicitados, e o SBT anda até pagando prêmios em dinheiro pra quem conseguir um flagra de um artista. Isso porque o brasileiro é fofoqueiro por natureza, aceitem isso ou não. Adoramos o fuxico, a conversinha de elevador e de espelho de banheiro.

Somando tudo isso num único programa seria impossível um resultado diferente do sucesso. Sei também que nos últimos anos o programa vem perdendo audiência, mas isso é mais por conta da mesmice do programa do que pelo formato. Enquanto a TV investir em programas que fucem e exponham a vida alheia, a audiência sempre vai corresponder muito bem.

Haverá alguém melhor que Steve Jobs?



@wesleytalaveira Se Steve Jobs fosse um líder religioso, teria com certeza uma das maiores e mais influentes igrejas do mundo, ou pelo menos a igreja com os fieis mais devotos. Isso porque ele é conseiderado pelos consumidores dos seus produtos como um grande líder, alguém que revolucionou o mundo e que nunca será esquecido. E em partes isso é verdade, mesmo. Mas alguns cuidados devem ser tomados quando falamos na inovação tecnológica atual e na participação de Steve Jobs nela.

Steve Jobs é sem dúvida uma das mentes mais brihantes dos últimos tempos. Seu maior mérito foi fazer a tecnologia se tornar algo fácil para todos. Equipamentos que teriam tudo para serem complicadíssimos se tornam de fácil uso para qualquer pessoa em poucas horas de prática. Steve Jobs foi um grande homem, com uma  inteligência incrível. Além de tudo isso, sua história de vida é um exemplo para qualquer pessoa que queira seguir em frente.

Orkut Büyükkökten
Mas temos de tomar muito cuidado quando falamos em Steve Jobs como o "pai da tecnologia", como eu vi outro dia se referirem a ele. Com o pouco conhecimento em tecnologia que tenho posso afirmar que Steve Jobs é apenas uma peça dessa engrenagem chamada Revolução Tecnológica (isso mesmo, com letra maiúscula). Steve Jobs é um grande nome na tecnologia, mas não é o único. Só pra citar os mais famosos, temos Bill Gates e sua Microsoft, que revolucionou a tecnologia - e isso copiando boa parte das ideias de Steve! Apesar de ser outro campo, mas Mark Zukerberg não deixa de ser um dos grandes nomes da revolução tecnológica atual com o Facebook. E por que não falar em Orkut Büyükkökten, o turco de nome impronunciável que, em 2004, mudou completamente a forma como as pessoas se comunicavam? Posso até cometer o escândalo de dizer que Steve Jobs é hoje para a tecnologia o que Orkut Büyükkökten foi a comunicação na internet em 2004.

Tenho certeza de que a revolução tecnológica que estamos atravessando está apenas no começo. Steve Jobs é a ponta de um iceberg enorme que ainda vai ser descoberto no futuro. Ainda há muito a ser criado, muito a ser pensado e muita gente a ser descoberta no mundo da tecnologia. Em cada uma dessas feiras japonesas que vemos na TV temos a ideia de como o mundo ainda está atrasado, levando em conta a capacidade humana de criar. No futuro olharemos para 2011 e diremos como o mundo era atrasado!

Esse é o cuidado que temos ao falar em Steve Jobs. Ele é sim um gênio da tecnologia que será lembrado para sempre. Mas não é o único. Há e ainda haverão muitos outros tão bons ou até melhores que ele. O que podemos fazer agora é ser gratos pela genialidade dele, que proporcionou os avanços no nosso tempo atual, e estar abertos ao que ainda virá.

Se estou sendo futurista demais? Pode ser que sim. Mas foi com a cabeça no futuro que Jobs chegou onde chegou, então me deixe ser futurista... rs

Qual é o estilo da Dilma?


Em mais um interessante artigo no Valor Econômico, Renato Janine Ribeiro, professor de ética e filosofia política da USP, toca no ponto certo do governo de Dilma Roussef. A presidente tem o seu estilo, mas será que pode se libertar das amarras fisiológicas do PT e dos partidos que lhe dão sustentação?

Veja abaixo o artigo:

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Em meio ano, Dilma Rousseff demitiu três ministros de Pastas importantes. No começo de seu governo, escrevi que ela estava em busca de seu estilo. Sucedia a dois grandes comunicadores. Fernando Henrique Cardoso, em que pese vivermos num país sem maior simpatia pelos intelectuais, usou sua cultura e simpatia - era o chefe de governo mais culto que tivemos desde José Bonifácio - para transmitir, à sociedade, uma nova agenda, mais econômica na verdade do que política. Luiz Inácio Lula da Silva utilizou sua verve e carisma para comunicar-se com uma parcela bem maior da sociedade. Se adotou políticas de inclusão social, aumentando a classe C e reduzindo as D e E, fez algo parecido no discurso político: dirigiu-se sobretudo aos pobres, falou com eles, em especial com suas famosas metáforas. E Dilma? Que estilo teria, perguntei em fevereiro, depois desses governantes que sabiam tão bem falar à sociedade?

Agora, temos dados concretos. Dilma continua falando pouco. Também não é de escrever. Ela assina. Assina demissões. Há uma lógica clara no seu modo de demitir. Quando um ministro é suspeito de corrupção, ela quer que preste satisfação à sociedade. Dá-lhe uma chance. Não demite ninguém de pronto. Porém, se a satisfação prestada não for convincente - e foi esse o problema de Palocci, que era o grande ministro de uma grande Pasta, bem como o de Alfredo Nascimento, que dirigia um dos principais ministérios da Esplanada, não só pelo dinheiro manejado mas pela popularidade que gera, se construir e consertar estradas - o ministro sai. Esse não é um juízo criminal. Não sabemos se foram ou não culpados das acusações que lhes foram dirigidas. É um julgamento político. A política lida com aparências. Para ela, não basta a mulher de César ser honesta, ela tem de parecer honesta - para retomar o célebre dito de Júlio César, pronunciado assim mesmo na terceira pessoa.

Não basta acusar para derrubar um ministro. Ana de Hollanda foi atacada no começo do governo, pelas políticas que adotava (ou não adotava) e também por uma questão de diárias pagas a ela. Dilma deu-lhe um abraço, num corredor, e disse que fosse em frente. Só isso. Não houve colo, força-tarefa para defender a ministra, nada. Mas Hollanda se virou e saiu dos holofotes. Em suma, a presidente dá chance a quem é criticado e espera que a pessoa se mostre capaz de superar o mau momento. Porém, cobra. Um ministro não ficará no cargo fazendo-se de tonto.

Lembremos o episódio Henrique Hargreaves, em que o principal ministro de Itamar Franco, falsamente acusado de corrupção, se demitiu para que tudo fosse apurado e só voltou ao ministério devidamente isentado de culpa. Os tempos mudaram. Hoje, o único tema da oposição é a corrupção. Ela não discute como baixar a apreciação do real, não entra no mérito do trem-bala - apenas, acusa o governo de corrupto. Os decepcionantes PV e Marina, por sua vez, sequer fazem campanha contra a redução do imposto sobre os automóveis. Seria impopular defender mais impostos sobre os carros, mas o que se espera dos verdes? Que proponham o novo. Isso não vemos nem na oposição tucana, que só fala em desvio de verbas, nem na verde, que praticamente não fala. Hoje, se cada ministro acusado se afastasse, a oposição inviabilizaria a baixo preço e com meras palavras o governo. O que se pode esperar da presidência é que mande os acusados prestarem contas.

Já o desfecho do caso Jobim é diferente, mas normal. Se não o demitisse, a presidente se desmoralizava. O que temos de entender, e cabe aos jornalistas descobrir, é por que ele quis sair como saiu. Em poucas semanas, multiplicou provocações que não podiam ser toleradas. Recordo o sociólogo Emir Sader, que seria diretor da Casa de Ruy Barbosa. Numa entrevista, Emir se referiu a sua superior, a ministra Ana de Hollanda, como "autista". Era uma alusão bem humorada e até carinhosa. Bastou para que perdesse o cargo. Mas Emir é um acadêmico; nesta área, estamos acostumados a dizer o que pensamos, sem meditar muito as consequências.

Nelson Jobim é um político brilhante, que foi ministro de três governos seguidos e se destacou nos três Poderes da República. Foi o melhor ministro da Defesa que tivemos desde a criação da Pasta. Então, por que deu três declarações sucessivas e provocadoras? Queria sair como herói? Para tanto, precisaria estar representando uma causa nobre, contra uma eventual falcatrua. Nada disso está à vista.

Dilma não aceitou, nem podia aceitar, o que precisamente para os militares é o pecado mortal: a indisciplina e, com ela, a tolerância com a indisciplina. (Ainda hoje, paira a suspeita de que, se Jango não tivesse admitido a indisciplina dos sargentos e marinheiros em 1964, vários generais, entre eles o comandante de São Paulo, não se teriam revoltado; o golpe de Estado fracassaria). O chefe do Ministério da Defesa desrespeitou a comandante-em-chefe das Forças Armadas. A essa altura, importa pouco avaliar como será Celso Amorim - como ainda sabemos pouco de Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti. Nenhuma dessas indicações, em que pesem as qualidades do ex-chanceler no Itamaraty, impressionou muito a opinião pública. Mas o que conta é que a presidente mostrou firmeza.

Ainda ignoramos como Dilma vai se comunicar. O que vimos é que exige respeito. É um dado importante. É um começo. Talvez precise terminar de ajeitar o governo. Isso demora - talvez um ano. Depois, terá de mostrar que ideais vai transmitir - como FHC e Lula fizeram. Está indo bem na tarefa de pôr ordem no ministério. Terá de mostrar para quê. Isto é: o que tem a propor ao povo. Esperemos.

Fontes:
Blog do PPS
Humor Político
Gilvan Melo

O Sílvio disse não!


@wesleytalaveira Bem que os pseudo-pastores tentaram. Malafaia, Valdemiro e outros ofereceram até o rim pra comprar a madrugada do SBT e veicular lá suas asneiras gospel. Mas o Sìlvio disse não.

A maior oferta veio do líder da Igreja Mundial, o Valdemiro Santiago. Tanto tentou negociar com o pessoal do SBT sem sucesso que passou a tentar diretamente com o dono dos porcos. Marcou almoços, jantares e etc, sempre sem sucesso. Por fim Sílvio Santos bateu o martelo e disse que não vende a madrugada do SBT.

A crentada chiou na internet. Amaldiçoaram o dono do Baú, disseram que ele vai morrer no fogo do inferno e outras coisas mais. E nós, que não dependemos das palavras desse tipo de gente para ser pessoas boas só temos a comemorar por saber que ainda existem pessoas que dizem não para o dinheiro sujo desses covis  de bandidos que insistem em se chamar igrejas. Ainda tem algumas poucas pessoas que rejeitam o dinheiro conquistado de forma suja, através da ludibriação da boa fé de pessoas ingênuas, que acham que realmente estão contribuindo com a 'obra de Deus'. Ainda existem empresas que preferem trabalhar pelo lucro, ao invés de se aliar a fontes inesgotáveis de dinheiro.

Valeu, Sílvio!

Steve Jobs não é brasileiro


Texto do Sérgio Malbergier na Folha

O fundador da Apple, Steve Jobs, morreu sem ver sua empresa operar normalmente no Brasil. O americano está sendo saudado justamente como um revolucionário genial que transformou o modo como comercializamos e consumimos cultura e tecnologia. Isso é muita coisa. Mas uma coisa ele não conseguiu: fazer sua empresa ocupar o espaço que lhe cabe no fenomenal mercado brasileiro. E isso diz muito mais do Brasil do que de Jobs.

Até hoje os produtos Apple são comercializados por terceiros no Brasil, já que a empresa americana não conseguiu um modelo de negócios viável na pátria do imposto alto e de ambiente de negócios precário.

Os brasileiros pagam o dobro dos americanos ou mais para comprar os iProdutos criados por Jobs e equipe. A última cartada para a normalização da atuação da Apple por aqui foi o anúncio hiperinflado, para dizer o mínimo, da construção de uma fábrica de iPads no nosso país.

O anúncio ocorreu durante viagem de Dilma Rousseff à China, em abril passado. Na falta de qualquer resultado palpável da visita, anunciou-se com grande fanfarra e nenhuma substância que a Foxconn, empresa taiwanesa que fabrica os iProdutos, abriria uma nova fábrica no Brasil para produzi-los aqui. Era o que faltava para Dilma e o PT conquistarem a emergente classe média nacional.

Como escrevi naquela época neste espaço, a Apple não consegue vender direito seus produtos no Brasil por nossas precariedades econômicas, aciona a empresa taiwanesa que fabrica iPads e iPods na China para que os produza aqui e assim consiga driblar essas precariedades e isso ainda é vendido como um trunfo da visita de Dilma à China. Haja "spin"!

A fábrica obviamente está até hoje na promessa. Desde então, falou-se de produção inicial em novembro, depois que o BNDES financiaria o projeto de US$ 12 bilhões, depois que não haveria mão de obra qualificada no país para tocá-lo, depois que a operação começaria como as "maquiladoras" mexicanas, com os produtos somente montados aqui.

O fato é que Steve Jobs morreu, e o Brasil ainda segue excluído em grande medida da revolução Apple. Assim como seguimos com uma das conexões de internet mais caras e lentas do mundo.

São essas coisas que explicam o nosso atraso, apesar dos enormes avanços dos últimos anos, e a nossa dependência das benditas commodities (porque sem elas teríamos déficits comerciais desastrosos).

Se Jobs conseguiu transformar tanta coisa, quem sabe a comoção com sua morte ilumine a cabeça dos nossos burocratas e acelere a liberalização do mercado brasileiro de tecnologia e digital.

Taxar tecnologia é taxar o conhecimento, a inovação, o futuro. É fechar as fronteiras para Steve Jobs.

É possível existir um socialismo alternativo?



@laroliver Que o comunismo e o socialismo original, pensados por Marx, não são o modelo mais perfeito para resolver as distorções do capitalismo ninguém (ou quase ninguém) duvida. É só olhar como todos os países que levaram à risca o comunismo acabaram ou numa enorme crise econômica, como a antiga URSS, ou acabaram cedendo aberturas ao capitalismo, como China e Cuba. O socialismo tal como foi pensado em seu início acabou por virar uma ideia fanática, que não aceita qualquer opinião diferente. O Socialismo marxista virou uma espécie de religião, onde só o que seu líder fala é a verdade, e tudo o mais deve ser rejeitado.

A pergunta é a seguinte: não existe um outro jeito de pensar o socialismo, sem o fanatismo de Marx? Seria possível pensar num modelo de sociedade que pregue a igualdade entre as pessoas, mas com liberdade para a produção individual ao mesmo tempo? Um socialismo que se comunica com outras formas de pensamento, e que tenta extrair de cada ideologia algo com para formar sua concepção?

É curioso como as pessoas tem a sede de se fechar em rótulos. Se intitulam capitalistas, socialistas, direitistas, esquerdistas, cristãos, ateus. Essa necessidade de se rotular raramente trás algo de bom para as pessoas, que se fecham para conhecer o que há de bom nas outras formas de ver o mundo que não a sua. Sim, em todas as ideologias há coisas boas e coisas ruins. Há coisas boas no capitalismo e no socialismo. Há coisas boas na religião e no ateísmo. Há coisas boas inclusive para os que tem a coragem em não se rotular como héteros ou homossexuais. Sempre há algo para se aproveitar no lado oposto. Será tão difícil reconhecer isso?

Pelo menos no campo político, o Brasil tem algo parecido com isso. Ainda que de forma muito tímida, o Partido Popular Socialista, o antigo PCB - o partidão, tenta debater com todas as formas de pensamento. Socialista por definição - inclusive no nome, o PPS foi o responsável pelas lutas comunistas no Brasil durante as ditaduras getulistas e Militar. Operando por muito tempo na clandestinidade, o PCB lutava para, se não implantar no Brasil o regime comunista, pelo menos para trazer ao Brasil um modo mais justo de governo.

Em 1989, o então presidente do partidão Roberto Freire decidiu em convenção que o PCB mudaria de rumos. Tendo em vista a derrota do sistema comunista na URSS, na Alemanha Oriental e em outros locais, os membros do partido perceberam que o socialismo marxista precisava ser revisto. Foi então que passaram a dialogar com outras formas e mudaram o nome do partido, de Partido Comunista Brasileiro para Partido Popular Socialista, uma mudança que deixou clara até no nome a intenção de ter uma ideologia mais abrangente.

Depois de alguns anos, infelizmente o PPS acabou caindo num ostracismo assustador, servindo apenas como aliado para partidos de governo como PT e PSDB, principalmente. Em 2010 o PPS não lançou nenhum candidato em SP para o Governo do estado, ao Senado nem nada. E infelizmente perdeu a única cadeira no Senado que tinha, com o falecimento do ex-presidente Itamar Franco. O PPS vinha correndo o risco de cair no esquecimento e acabar se juntando a outras legendas pequenas, o que significaria o fim de mais de 60 anos de luta do PCB e de pessoas que derma a vida pela política brasileira.

Ainda bem que esse ano o partido resolveu reagir. Mesmo com com poucas vozes, o PPS vem firmando posição própria em diversos assuntos de interesse nacional, como na votação do Código Florestal, e vem sinalizando uma independência política para 2012, pelo menos em São Paulo. Várias novas filiações foram feitas ao partido em todo o Brasil. Até mesmo o Weslley Talaveira, nosso blogueiro responsavel pelo Blog Novas Ideias é um dos novos filiados ao partido.

Torço para que o PPS possa vir a ser realmente uma força política alternativa nesse país. Um partido com a história que tem não pode cair no ostracismo. O Socialismo Popular é uma forma moderna de ver o mundo, que dialoga com todos e colhe o que de melhor tem cada visão política. Tanto porque política se faz com diálogo.


*Com colaboração de Wesley Talaveira

A Lingerie de Giselle Bündchen



Texto da Ruth de Aquino, publicado na Época.

Certo ou errado? Gisele Bündchen, de lingerie e salto alto, seduz seu homem (e os nossos também) no comercial de TV. A modelo dá más notícias para o marido. “Amor, mamãe vem morar com a gente.” “Estourei seu cartão de crédito.” “Bati com seu carro.” Gisele séria, de vestido comportado. E sensual, de calcinha e sutiã. “Você é brasileira, use seu charme”, diz a publicidade. A Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM) do governo Dilma achou a mensagem “preconceituosa e discriminatória” e quer tirar Gisele do ar.

Desconfio que a Hope, marca da lingerie, tenha contratado as mulheres de Dilma para bombar a campanha. O anúncio com a modelo mais bem paga do planeta virou uma sensação. Em inglês, francês, italiano, espanhol. A ameaça de censura do governo rodou o mundo. Vídeos legendados em diversos idiomas mostram Gisele no duplo papel. A esposa recatada. E a gata provocante. Tudo para vender lingerie... para as mulheres.

Acho o anúncio divertido, leve, maroto. Não me senti ofendida. E olha que sou chefe de família, como 30% das brasileiras. Fico boba com a falta de humor e rebolado da tal secretaria do governo. A nota de repúdio ao Conar, conselho que regulamenta a publicidade, usa uma linguagem pesada como a burca. Inspire. “O anúncio reforça o estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual e ignora os grandes avanços alcançados para desconstruir práticas e pensamentos sexistas.” Expire. Conseguiu ler até o fim? Ah, falta explicar que o governo recebeu 15 – quinze! – queixas de telespectadores indignados com a publicidade. Uma multidão. Por isso, a ministra Iriny Lopes foi à luta contra a lingerie incorreta.

Que tal uma teoria inversa? O anúncio na verdade mostraria o homem como objeto de manipulação das mulheres e não o contrário. O homem é um tolo que cai de quatro para o poder da sedução feminina. Em vez de macho fulo de raiva com o cartão de crédito estourado, o carro batido e a vinda da sogra, o marido invisível se submete, dócil, ao charme de sua mulher.

Quem achou Gisele apelativa? Luana Piovani! A atriz, que vive semipelada no cinema, na televisão e no teatro, disse: “Sei lá, sou meio feminista”. “Não curto mulher de fio dental vendendo cerveja.” Depois de processar Dado Bolabella (ops, Dolabella) por ter levado uns tapas dele na boate, Luana vai ser mãe e acha que “representa as mulheres brasileiras”. Diz que só usa lingerie em festinhas para o marido e que “faz mulher-objeto, mas só na dramaturgia”. Senti uma pontinha de inveja da mulher invisível pela diva brejeira e simpática.

Fui saber a opinião do publicitário Armando Strozenberg, presidente da 3ª Câmara do Conar, do Rio de Janeiro. “Quando vi o comercial, fiz o seguinte exercício: eu colocaria um homem no lugar da Gisele? Nas mesmas duas situações? Claro que colocaria”, diz ele. “A sedução, no Brasil, é mútua. É coisa nossa. E o comercial é uma brincadeira que lida com esse universo. Não desmerece a mulher.”

Penso nas cenas de novela com atores sem camisa, mostrando o peitoral, de sunga, de cueca, tomando banhos demorados, ou mesmo de bundinha de fora. Uma exibição deliberada de músculos, barriga tanquinho e testosterona. As mulheres gostam e suspiram. E ninguém reclama que os homens sejam objetos sexuais – eles até gostam. Não gostam?

Não somos Giseles. Estamos longe disso. Mas cada uma de nós tem algo especial para seu homem – nem que seja o sorriso aberto, o olhar sugestivo, um colo ou... E vice-versa. Há 16 anos, eu fazia mestrado em Londres, não havia internet e, em vez de gastar palavreado em cartas para o namorado artista plástico no Brasil, eu mesma fiz uma série de fotos minhas de lingerie e salto alto. Enviava a ele pelo correio uma vez por semana, toda segunda-feira. Eram cartões-postais personalizados. Um “teaser”, na linguagem publicitária. Ele se dizia ansioso a cada novidade semanal do correio.

Quando contei isso a algumas amigas, me olharam incrédulas. E como ficava a imagem de jornalista séria e “meio feminista”? Por que fez isso, Ruth ? Para brincar, seduzir, surpreender e agradar ao namorado. Estamos juntos até hoje.

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